Pensando em Deus

Reconhecendo, se protegendo e desmascarando as seitas.

A importância e fatos históricos do Período Interbíblico

Posted by Sara Kelly em 06/12/2017

O surgimento no período interbíblico se deu na época da restauração
– Com o desaparecimento dos profetas houve pouca ênfase na esperança messiânica.
O interesse do povo era a observação da lei…

Todo o povo juntou-se como se fosse um só homem na praça, em frente da porta das Águas. Pediram ao escriba Esdras que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o Senhor dera a Israel.
Assim, no dia primeiro do sétimo mês, o sacerdote Esdras trouxe a Lei diante da assembléia, que era constituída de homens e mulheres e de todos os que podiam entender.
Ele a leu em voz alta desde o raiar da manhã até o meio-dia, de frente para a praça, em frente da porta das Águas, na presença dos homens, mulheres e de outros que podiam entender. E todo o povo ouvia com atenção a leitura do Livro da Lei. (Neemias 8:1-3 NVI)

Tu desceste ao monte Sinai; dos céus lhes falaste. Deste-lhes ordenanças justas e leis verdadeiras, e decretos e mandamentos excelentes.
Fizeste que conhecessem o teu sábado santo e lhes deste ordens, decretos e leis por meio de Moisés, teu servo.
Na fome deste-lhes pão do céu, e na sede tiraste para eles água da rocha; mandaste-os entrar e tomar posse da terra que, sob juramento, tinhas prometido dar-lhes.
Mas os nossos antepassados tornaram-se arrogantes e obstinados, e não obedeceram aos teus mandamentos. (Neemias 9:13-16 NVI)

Muitas vezes Deus silencia. Todavia, o fato de Deus silenciar a sua voz possui motivos que podemos ou não ter conhecimento, mas não significa que ele não está fazendo ou permitindo alguma coisa.
Cabe a nós tentar descobrirmos algo que Ele permita. Se Ele permite? Só saberemos se formos curiosos o bastante para pesquisarmos em meio às nossas orações.

As coisas encobertas pertencem ao Senhor, ao nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei. (Deuteronômio 29:29 NVI)

O período chamado interbíblico ou intertestamentário é justamente um momento na história que podemos utilizar desta oportunidade, pois compreende um espaço de tempo entre o profeta Malaquias e o evangelista Mateus de + ou – 400 anos de silêncio divino (Mais precisamente, segundo biblicistas, entre os textos de Malaquias 3.1 e Mateus 3.1).
Esta expressão “400 anos de silêncio”, freqüentemente empregada para descrever tal período entre os últimos eventos do A.T. e o começo dos acontecimentos do N.T. não é correta nem apropriada. Embora nenhum profeta inspirado se tivesse erguido em Israel durante aquele período, e o A.T. já estivesse completo aos olhos dos judeus, certos acontecimentos ocorreram que deram ao judaísmo posterior sua ideologia própria e, providencialmente, prepararam o caminho para a vinda de Cristo e a proclamação do Seu evangelho.

A importância de ter o conhecimento deste período faz toda a diferença na interpretação dos Evangelhos, embora seja um tempo vago na história bíblica, possui uma rica contribuição histórica que influi na sociedade que Jesus encontrou nos seus dias.
O termo “interbíblico” significa: “entre a Bíblia” ou “entre os Testamentos”, por isso é conhecido também como período “intertestamentário” por relacionar-se com o tempo entre o AT e o NT.

No livro “Período Interbíblico” (2009, editora Hagnos), o autor Enéas Tognini, um veterano Pastor batista desta igreja no Brasil, um dos ícones do avivamento espiritual que iniciou nos anos 1960 com a Convenção Batista Nacional (CBN), começa seu relato histórico do Período Interbíblico muito bem. Falando da dificuldade do povo de Deus em resolver seus problemas, da permissão do Senhor em deixar que diversos pontos da vida de muitos falhassem, que o materialismo, a corrupção, a desilusão, a promiscuidade, a depravação, o descuido, etc, tomasse conta da vida humana nestes desesperadores 400 anos de escuridão. Menciona também que o silêncio profundo de Deus, motivo pelo qual a desordem generalizou-se (Não que Deus tenha sido o causador da desordem, mas o fato de o Senhor silenciar por um longo período fez com que o homem perdesse o rumo das coisas e que viesse a se tornar o principal canal destruidor da própria vida, bem como a do próximo), mudou radicalmente o rumo de todos, fossem o povo de Deus ou as nações gentias.
O ambiente exposto por Tognini fala do judaísmo no NT. A mudança radical, rudimentar, fraca e pobre que Paulo menciona, iniciou sua transformação ridícula no Período Interbíblico com os “retoques” dos judaizantes acerca da Lei de Moisés, tornando-a mais rígida do que já era, tão pesada que nem eles próprios conseguiam cumpri-la.

Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez? (Gálatas 4:9 NVI)

Provavelmente esta decisão foi tomada para tentar preservar a Lei, mas o povo e os próprios líderes religiosos nunca haviam, de fato, entendido a Lei, e no espaço de tempo obscuro, conseguir manter ou voltar à linha correta era praticamente impossível.

Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. (João 5:46 NVI)

Eis então o ocorrido: a inserção de costumes herdados dos 400 anos obscuros como se fosse complemento da Lei, criando fardos sobre fardos no alto dos ombros dos indivíduos israelitas e da própria sociedade.

Creio que estamos vivendo um tempo meio que parecido, pois vemos que Deus tem a cada dia silenciado mais a sua voz nos ouvidos do seu povo, evidentemente por causa da existência da Bíblia Sagrada como sua Palavra completa e também pelo pecado que cresce no mundo, sem contar o fato de que os líderes das igrejas nos últimos anos tem pregado uma espécie de lei que divide a igreja: de um lado mulheres, do outro, homens… Jesus veio para corrigir estes absurdos, apregoando uma mensagem leve, de descanso.

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mateus 11:28-30 NVI)

Isto significa que servir a Deus é fácil? Claro que não!

Então Jesus disse aos seus discípulos: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus 16:24 NVI)

Mas as dificuldades em servi-lo existem noutros âmbitos, como na própria natureza humana, e não na dificuldade da Lei.

E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. (Mateus 10:38 NVI)

Sem sombra de dúvidas o cativeiro babilônico teve sua contribuição: mostrar as duas faces do povo de Deus, o cansado e desertor da caminhada e o persistente nela. O problema é que os dois são descobertos no NT.
Jesus encontrou um povo obstinado pela cidade, mais nacionalista, patriota, tradicionalista, que havia esquecido o cerne da religião e se tornaram aficionados por temas polêmicos herdados pelos seus líderes e por sua cegueira espiritual. Talvez um trauma pelo que sofreram. Encontramos esta marca, por exemplo, em Paulo antes da sua conversão: disposto a matar, a cometer loucuras por um falso zelo religioso, por ódio. Pouquíssimos permaneceram no bom caminho. Pouquíssimos voltaram ao bom caminho.
Antes, durante e depois do cativeiro, percebemos que a nação judaica sofreu algumas intempéries. Antes do exílio falavam hebraico. Durante o exílio foram obrigados a falar aramaico e após a dispersão, de repente, são obrigados a falar grego, utilizar de toda cultura, arte, costumes e tradições gregas. Tudo por imposição helenista, uma invasão grega obrigando a todos. Isto é fruto das páginas brancas que separam o AT e o NT.

Surgem, então, as “sinagogas” como substituição ao templo que fora destruído e tendo a função sublime de ser o principal local de culto dos judeus.
Muitas organizações político-religiosas aparecem no cenário judeu, e sob as mãos cruéis do império Romano, as seitas crescem e amadurecem assustadoramente. Todavia, também foi possível encontrar em meio a toda essa confusão de ideias, números importantes de pessoas aguardando a vinda do Messias, graças às mensagens dos profetas passados que vaticinaram a respeito.
De forma geral, parece que o judeu realmente aprendeu a não adorar imagens. No cativeiro, o judeu morria por causa de idolatria, hoje, prefere morrer do que adorar a imagens.

A elaboração dos apócrifos foi tão duvidosa quanto o seu conteúdo. Se os últimos profetas do AT emudeceram, o povo judeu sentiu-se decepcionado. Isso pode ter sido levado em consideração para a elaboração dos apócrifos: uma tentativa de preenchimento do vazio deixado por Deus (importante lembrar que os apócrifos fornecem alguns dados de cunho histórico, embora não sirvam como Palavra de Deus).
A canonização do AT estava sendo finalizada e aguardando somente os primeiros acordes no NT. Porém, ninguém poderia imaginar que o tempo até o início do NT (não os escritos, e sim os fatos) demorariam 400 anos. Neste tempo que houve a invasão dos livros apócrifos.

A palavra apócrifo no grego apokryphos significa obscuro, escondido, não revelado.
Em latim o termo é: apochryphus significando desaprovado para leitura pública, secreto.
Enquanto os protestantes rejeitam os apócrifos, os católicos romanos e as igrejas ortodoxas (extremistas) aceitam, denominando-os deuterocanônicos, segundo cânon ou cânon repetido (também conhecido como pseudo-canônicos).
As disputas sobre os apócrifos do AT têm um papel importante nas disputas católicas e protestantes sobre ensinamentos como purgatório e oração pelos mortos. Não há evidências de que os livros apócrifos sejam inspirados e, portanto, devam fazer parte do cânon das Escrituras inspiradas. Eles não afirmam ser inspirados, e a inspiração não lhes é atribuída pela comunidade judaica que os produziu. Não são citados nenhuma vez como Escritura no NT.

Muitos pais da igreja primitiva, incluindo Jerônimo, os rejeitavam categoricamente. Acrescentá-los à Bíblia pelo decreto “infalível” no Concílio de Trento evidencia um pronunciamento dogmático e polêmico criado para sustentar doutrinas que não são apoiadas claramente em nenhum dos livros canônicos.
À luz dessa evidência poderosa contra os apócrifos, a decisão da ICR e Ortodoxa é infundada e rejeitada pelos protestantes. É um erro sério admitir materiais não inspirados para corromper a revelação escrita de Deus e minar a autoridade divina das Escrituras.

Nesta pausa divina de 400 anos, alguns estudiosos dividem o Período Interbíblico em quatro pontos distintos que os veremos a seguir: o período persa, o período grego, o período da independência e o período romano.

  •  1. O Período Persa (430-322 a.C.):

Ao encerrar-se o A.T. lá pelo ano 430 a.C., a Judéia era uma província da *Pérsia. (*Esta havia sido potência mundial por 100 anos).
Continuou a sê-la por outros 100 anos, durante os quais não se conhece muito acerca da história judaica. O domínio pérsico, na sua maior parte, foi brando e tolerante, gozando os judeus de considerável liberdade em suas instituições religiosas.
A Judéia era dirigida pelo sumo sacerdotes, que prestavam contas ao governo persa, fato que, ao mesmo tempo, permitiu aos judeus uma boa medida de autonomia e rebaixou o sacerdócio a uma função política. Inveja, intriga e até mesmo assassinato tiveram seu papel nas disputas pela honra de ocupar o sumo sacerdócio. Joanã, filho de Joiada, é conhecido por ter assassinado o próprio irmão, Josué, no recinto do templo.

Os chefes das famílias dos levitas e dos sacerdotes, nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua, foram registrados no reinado de Dario, o persa. (Neemias 12:22 NVI)

Israel caiu e foi cativo. No seu auge, a Pérsia, abateu a nação israelita.
Os reis persas desse período foram:
Artaxerxes I, 464 – 423. Sob seu governo, Neemias reconstruiu Jerusalém.
Xerxes II, 423 a.C. Dario II, 423-404 a.C. Artaxerxes II (Mnemom), 404 – 359 a.C. Dario III (Codomano), 335-331 a.C. Sob o governo deste o império pérsico caiu.
Cerca de 50.000 exílios perto do ano 536 foram permitidos por Ciro voltar a Palestina com Zorobabel

Todos os seus vizinhos os ajudaram, trazendo-lhes utensílios de prata e ouro, bens, animais, e presentes valiosos, além de todas as ofertas voluntárias que fizeram. (Esdras 1:6 NVI)

Os eventos do livro de Ester passaram na Pérsia cerca do ano 483 a.c.
Esdras, um escriba, chegou em Jerusalém cerca do ano 457, promoveu várias reformas civis e religiosas

Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas. (Esdras 7:10 NVI)

Neemias foi copeiro de Artaxerxes I entre 465 e 424 a.C. e reconstruiu Jerusalém neste tempo (provavelmente em 444 a.C.).

No mês de nisã do vigésimo ano do rei Artaxerxes, na hora de servir-lhe o vinho, levei-o ao rei. Nunca antes eu tinha estado triste na presença dele; Por isso o rei me perguntou: “Por que o seu rosto parece tão triste, se você não está doente? Essa tristeza só, pode ser do coração!” Com muito medo, eu disse ao rei: “Que o rei viva para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, se a cidade em que estão sepultados os meus pais está em ruínas, e as suas portas foram destruídas pelo fogo?”
O rei me disse: “O que você gostaria de pedir?” Então orei ao Deus dos céus, e respondi ao rei: “Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a benevolência do rei, que ele me deixe ir à cidade de Judá onde meus pais estão enterrados, para que eu possa reconstruí-la”.
Então o rei, com a rainha sentada ao seu lado, perguntou-me: “Quanto tempo levará a viagem? Quando você voltará?” Marquei um prazo com o rei, e ele concordou que eu fosse.
E a seguir acrescentei: Se for do agrado do rei, que me dê cartas aos governadores do Trans-Eufrates para que me deixem passar até chegar a Judá. Que me dê também uma carta para Asafe, guarda da floresta do rei, para que ele me forneça madeira para as vigas das portas da cidadela que fica junto ao templo, do muro da cidade e da residência que irei ocupar. Visto que a bondosa mão de Deus estava sobre mim, o rei atendeu os meus pedidos.
Com isso fui aos governadores do Trans-Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei. O rei fez-me acompanhar uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros.
Sambalate, o horonita, e Tobias, o oficial amonita, ficaram muito irritados quando que alguém estava interessado no bem dos israelitas.
Cheguei a Jerusalém e, depois de três dias de permanência ali (Neemias 2:1-11 NVI)

Malaquias dirigiu seu ministério num período de decadência espiritual cerca de 432-424, ele marcou o fim do AT.
A referência bíblica de Neemias como copeiro de Artaxerxes I é uma das menções mais próximas do início do Período Interbíblico, cronologicamente falando, assim como, as setentas semanas de Daniel e os setenta anos de Jeremias.

Setenta semanas estão decretadas para o seu povo e sua santa cidade para acabar com a transgressão, para dar fim ao pecado, para expiar as culpas, para trazer justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.
Saiba e entenda que a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e muros, mas em tempos difíceis.
Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele. A cidade e o lugar santo serão destruídos pelo povo do governante que virá. O fim virá como uma inundação: Guerras continuarão até o fim, e desolações foram decretadas.
Com muitos ele fará uma aliança que durará uma semana. No meio da semana ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele o fim que lhe está decretado”. (Daniel 9:24-27 NVI)

Toda esta terra se tornará uma ruína desolada, e essas nações estarão sujeitas ao rei da Babilônia durante setenta anos. (Jeremias 25:11 NVI)

É importante perceber alguns detalhes como o fato de alguns dos profetas do AT serem contemporâneos e que os livros de Jeremias e Daniel, terem sido escritos no Exílio, após a destruição do Templo judeu pelo rei da Babilônia Nabucodonosor II.

Características do Período Persa:

1– Decadência espiritual vista em Ageu e Malaquias.
2– Desenvolvimento do poder do sumo sacerdote (Após Neemias, a Judéia foi incluída na província da Síria. Assim o Sumo Sacerdote se tornou governador da Judéia e autoridade da Síria.)
3– Os inícios do escribismo (escribas, melhor explicado adiante) com um interesse exagerado na Letra da Lei.

  •  2. O período grego (321-167 a.C.):

Compreende o período dos Ptolomeus e Selêucidas, a crescente potência dos gregos.
Com a queda dos persas, o poder mundial passou da Ásia para o Ocidente pelo nome de Alexandre, o Grande, que com apenas 20 anos assumiu o poder do exército macedônio e reduziu num breve espaço de tempo as grandes nações como o Egito, a Assíria, A Babilônia e a Pérsia (venceu Dario decisivamente na batalha de Arbela em 331 a.C. dando fim ao grande império Persa).

Diz a lenda que quando Alexandre se aproximava de Jerusalém o sumo sacerdote Jadua foi ao seu encontro e lhe mostrou as profecias de Daniel, segundo as quais o exército grego seria vitorioso (Daniel 8). Essa narrativa não é levada a sério pelos historiadores, mas é fato que Alexandre tratou singularmente bem aos judeus. Ele lhes permitiu observarem suas leis, isentou-os de impostos durante os anos sabáticos e, quando construiu Alexandria no Egito (331 AC), estimulou os judeus a se estabelecerem ali e deu-lhes privilégios comparáveis aos seus súditos gregos.

Alexandre conquistou a Palestina, poupando Jerusalém e disseminando a língua e a cultura gregas em 332 a.C., fundou 70 cidades, moldando-as conforme o estilo grego. Ele e os seus soldados contraíram matrimônio com mulheres orientais. E assim foram misturadas as culturas grega e oriental.
Após sua descuidada e precoce morte aos 33 anos (suas forças foram dissipadas pelo álcool e malária. No ano 323 morreu com a bebida (vinho)), Alexandre deixa um suntuoso reino dividido para seus quatro generais, atendendo à profecia de Daniel.

Depois que ele surgir, o seu império se desfará e será repartido para os quatro ventos do céu. Não passará para os seus descendentes, e o império não será poderoso como antes, pois será desarraigado e dado a outros. (Daniel 11:4 NVI)

Duas partes se destacaram. A Síria ficou com Selêuco, monarca helenista da Síria (nome dado a seis monarcas helenistas da Síria, sendo que quatro destes obtém mais importância no cenário bíblico nos períodos entre 358 e 175 a.C.), Antioquia era a sua capital (Quando Pompeu tornou a Síria em província romana, em 64 a.C. chegou ao fim o império selêucida) e o Egito com Ptolomeu, (dinastia ptolemaica) que governou o Egito entre 305 e 30 a.C. tendo Alexandria por capital (Os faraós desta dinastia foram responsáveis por várias construções, entre as quais se destacam a cidade de Alexandria, com o seu farol e biblioteca, o templo de Hórus em Edfu e o templo de Ísis em Filas), também complementando a profecia de Daniel. Cleópatra, que morreu no ano 30 a.C. foi o último membro da dinastia dos Ptolomeus.

O rei do sul se tornará forte, mas um dos seus príncipes se tornará ainda mais forte que ele e governará o seu próprio reino com grande poder. (Daniel 11:5 NVI)

Em relação ao Período Intertestamentário estes dois reinos se destacam (houveram também outras formações de reinos ao longo do período grego).
Neste período houve dispersão judaica, mas também meios de tradução do AT hebraico para o grego, que veio a ser conhecida como Septuaginta LXX (dizem os historiadores que a Septuaginta foi traduzida do hebraico para o grego por setenta e dois anciãos, seis de cada tribo, em menos de setenta e dois dias), atendendo a obrigatoriedade da língua grega pelo império romano (as línguas oficiais do império romano na época era tanto o grego como o latim).
De 175 a 164 a.C., durante os primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com suas leis. Todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo.

Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom e que estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por um rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau).
Quando partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco marchou contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 AC). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários forma proibidos e um altar a Júpiter foi erigido sobre o altar do holocausto. Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçados a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus (segundo a Lei de Moisés, o porco era um animal impuro, sendo assim, em hipótese alguma deveria ser utilizado para sacrifício).

E o porco, embora tenha casco fendido e dividido em duas unhas, não rumina; considerem-no impuro. (Levítico 11:7 NVI)

O porco também é impuro; embora tenha casco fendido, não rumina. Vocês não poderão comer a carne deles nem tocar em seus cadáveres. (Deuteronômio 14:8 NVI)

Antíoco Epifânio perseguiu severamente os judeus a fim de reduzi-los a pó juntamente com a sua religião fazendo cumprir mais uma profecia de Daniel 11.21,31, tornando-se o mais vívido tipo do Anticristo no AT (de forma profética, já que isto veio a se cumprir no período entre os Testamentos).

Ele será sucedido por um ser desprezível, a quem não tinha sido dada a honra da realeza. Este invadirá o reino quando o povo do reino sentir-se seguro, e ele se apoderará dele mediante intrigas.
Suas forças armadas se levantarão para profanar a fortaleza e o templo, acabarão com o sacrifício diário e colocarão o sacrilégio terrível. (Daniel 11:21,31 NVI)

Considerações sobre Alexandre:

1- Sua influência foi muito grande por causa de sua extensão e permanência.
2- Estabeleceu centro de comércio e cultura em toda a extensão do seu império.
3- Com a penetração da cultura grega, a superstição oriental cedeu a liberdade do pensamento grego na filosofia, arquitetura, deuses, religião e atletismo (primeira olimpíada, 776 a.C.) Surgiram bibliotecas e universidades em Alexandria e Tarso como em outros lugares. Preparou-se assim o campo para religião universal.
4- De grande importância foi a disseminação da língua grega, criando a possibilidade de pregação do evangelho numa língua universal e a criação de uma Bíblia legível em toda a extensão da bacia do Mediterrâneo.

  •  3. O Período da Independência (167-63 a.C.):

Este período também é conhecido como Período Macabeu ou Período Hasmoneano (O nome da família dos Macabeus também era Hasmon).
Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e o oficial sírio que presidia a cerimônia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas (Revolta dos Macabeus) contra os sírios em 168 a.c..
Embora o velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto do jugo sírio, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas (mais preparado belicamente), cognominado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte do pai. Por volta de 164 AC Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Este fato tem causado a comemoração desde então da festa da Dedicação, entre 165 e 164 a.c..

Celebrava-se a festa da Dedicação, em Jerusalém. Era inverno (João 10:22 NVI)

Pouco depois das vitórias de Judas, Antíoco morreu na Pérsia. Entretanto, as lutas entre os Macabeus e os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.

Significância da opressão síria e revolta dos macabeus:

1– Restaurou a nação da decadência política e religiosa.
2– Criou um espírito nacionalista, uniu a nação e suscitou virilidade.
3– Deu um novo impulso ao judaísmo, novo zelo pela lei e esperança messiânica.
4– Intensificou o desenvolvimento dos dois movimentos que se tornaram os Fariseus e os Saduceus.
A) Os Fariseus (Seus antecedentes eram os reformadores dos tempos de Esdras e Neemias) surgiram do grupo purista e nacionalista.
B) Os Saduceus (O nome possivelmente vem de Zadoque, o sumo sacerdote dos tempos de Davi) surgiram do grupo que se aliou com os helenistas.

Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes; Seraías era secretário; (2 Samuel 8:17 NVI)

Foram cem anos de liberdade até 63 a.C. quando os romanos conquistaram a Palestina.
Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra.
O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho.
A essa altura, Antípater, governador da Iduméia, assumiu o partido de Hircano, e surgiu a ameaça de guerra civil.
Conseqüentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo.

  •  4. O Período Romano (63 a.C. – até os tempos de Jesus):

A intromissão de Roma ocorreu em 63 a.C. comandada por Pompeu Magno, general político romano também conhecido por Pompeu, o Grande, idumeu (mesmo que edomita, descendente de Edom/Esaú).

Esta é a história da família de Esaú, que é Edom. (Gênesis 36:1 NVI)

Antípatre (Ou Antípatro. Era pai de Herodes, o Grande) foi quem iniciou a era herodiana tão conhecida nos Evangelhos. Herodes, o Grande (ou Herodes I) era rei-cliente de Israel, uma espécie de rei de uma nação dependente de Roma em assuntos políticos atingindo a Eurafrásia, foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos.
Assassinou o venerável Hircano (31 A.C.) e mandou matar sua própria esposa Mariamne e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa.
Nas Escrituras, Herodes o Grande, é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus (Jesus Cristo).
O filho mais novo de Herodes Magno foi Herodes Antipas, que reinou no período em que Jesus morreu e ressuscitou.

Três períodos no reinado de Herodes (edificou a Cesaréia)
1– Os primeiros 12 anos (37-25) foram gastos na luta pelo poder.
2– Os segundos 12 anos (25–13) foram seus melhores anos.
3– Os últimos 9 anos (13–4) se caracterizaram pela crueldade e amargura (assassinatos na família)
4– Herodes morreu de hidropsia e câncer nos intestinos, em 4 a.C.

O choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.

  • Grupos Político-Religiosos do Novo Testamento:

– Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus.
O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos.
A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e até mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época.

Circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à lei, fariseu; (Filipenses 3:5 NVI)

1– Constituíram o núcleo da aristocracia religiosa e acadêmica.
2– Ensinavam que a alma era imortal, que havia uma ressurreição corporal e julgamento futuro com galardão ou castigo.
3– Acreditavam na existência de anjos e espíritos bons e maus.
4– Predestinatários, mas aceitaram que o homem tinha livre arbítrio e era responsável moralmente.
5– Coordenaram a tradição e a Lei escrita numa massa de regras de fé e prática, evoluindo com os tempos.

Nos dias de Jesus, gozavam de grande prestígio entre o povo. Eram considerados grandes mestres e homens piedosos.
No seu zelo fanático pela lei das purificações e as regras que a tradição lhes acrescentara, evitavam todo contato com os “pecadores”, pessoas que, segundo eles, violavam a Lei.

– Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão, fazia oposição aos fariseus, negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés.

No lugar dele o rei nomeou Benaia, filho de Joiada, no comando do exército, e o sacerdote Zadoque no lugar de Abiatar. (1 Reis 2:35 NVI)

Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos.
Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época.
Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus.

(Os saduceus dizem que não há ressurreição nem anjos nem espíritos, mas os fariseus admitem todas essas coisas.) (Atos 23:8 NVI)

1– Constituíram o núcleo da aristocracia sacerdotal, política e social.
2– Ensinaram que não há nem galardão nem castigo.
3– Negaram a existência de espíritos e anjos.
4– Enfatizaram a liberdade da vontade humana, rejeitando o determinismo e o azar.
5– Mantinham que a Torah era única fonte infalível de fé e prática, rejeitavam a tradição oral e divergiam dos fariseus em algumas interpretações.

O grupo dos Saduceus era pequeno. Eles eram mais políticos que religiosos, e desfrutavam de bastante conceito entre os romanos.
Fariseus e Saduceus, por sua política e seu credo religioso, eram irreconciliáveis.

– Essênios
O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus.
Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato.
Davam atenção à leitura e estudo das Escrituras, à oração e às lavagens cerimoniais.
Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade.
Tanto a guerra quanto a escravidão eram contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia.
Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.
Acredita-se que João Batista foi um essênio, por conta de suas práticas religiosas.

1– Não mencionados no N.T. mas Filo disse que havia 4.000 ou mais.
2– Eram uma seita ascética com sede na beira ocidental do mar morto.
3– Pensa-se que houve muitos deles nas vilas e cidades da Palestina.
4– Seguiram, o conceito de comunidade de bens, abstinência, meditação, trabalho zeloso e o celibato.

Em relação às doutrinas dos essênios, eram parecidos com os fariseus e não se davam com os saduceus.

– Escribas
Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei.
Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino, sendo chamados de rabi ou rabinos.
Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T.

– Herodianos
Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época.
Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa. Uma espécie de fraternidade em honra a Herodes.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo.
Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo”.

1- Eram partido político não religioso.
2- Esperaram que Herodes cumprisse a realização da esperança da nação.

Pregavam incondicional fidelidade a Herodes quanto ao pagamento dos tributos.
Julgavam que a Lei de Moisés podia ser violada quando os imperadores desejassem, porque os consideravam divinos.

– Zelotes
Legalistas, pietistas, messianistas nacionalistas…
Os zelotes eram uma seita judaica radical do tempo de Jesus. Os zelotes acreditavam na luta armada contra os romanos e esperavam um Messias guerreiro. Simão, um dos 12 apóstolos, era conhecido como “o zelote”.
O nome “zelote” vem de “zelo”, que significa devoção fervorosa, eram também chamados de “cananeus” ou “cananitas”. Os zelotes levaram sua devoção à Palavra de Deus ao extremo, acreditando que deviam fazer tudo para a defender, até matar pessoas. Os romanos os chamavam de “sicarii” (apunhaladores), por causa do seu costume de esconder um punhal embaixo das vestes.
Para os zelotes, a dominação romana era uma afronta que não podia ser tolerada. Israel era a nação escolhida de Deus mas os romanos não criam em Deus nem O honravam. Os judeus não se deviam associar a gentios. Por isso, os romanos precisavam ser expulsos da Terra Santa, usando a força.
Os zelotes não pagavam tributo aos romanos, como forma de resistência.

– Publicanos
Eram uma classe imposta pelos dominadores romanos com a missão de lhes coletarem os impostos.
Muitos judeus eram publicanos devido à rentabilidade da profissão, pois costumavam extorquir o povo, cobrando além do imposto exigido por Roma, daí a razão de serem conhecidos como ladrões e exploradores.

Alguns publicanos também vieram para serem batizados. Eles perguntaram: “Mestre, o que devemos fazer? “
Ele respondeu: “Não cobrem nada além do que lhes foi estipulado”. (Lucas 3:12,13 NVI)

A atitude de Zaqueu está ligada a essa prática…

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. (Lucas 19:8)

Mateus, discípulo de Jesus, era cobrador de impostos.

– Samaritanos
Com o Exílio Assírio no Reino do Norte, os judeus que viviam na capital Samaria foram exilados em sua maioria. O rei, na intenção de povoar Samaria, que agora contava com apenas alguns poucos judeus, trouxe das cidades estrangeiras pessoas para habitá-la.
A assimilação cultural de uma minoria judaica com os povos vindos do estrangeiro para habitar Samaria, deu origem aos samaritanos.

O rei da Assíria trouxe gente da Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim e os estabeleceu nas cidades de Samaria para substituir os israelitas. Eles ocuparam Samaria e habitaram em suas cidades.
Quando começaram a viver ali, não adoravam o Senhor; por isso ele enviou leões para o meio deles, que mataram alguns dentre o povo.
Então informaram o rei da Assíria: “Os povos que deportaste e fizeste morar nas cidades de Samaria não sabem o que o Deus daquela terra exige. Ele enviou leões para matá-los pois desconhecem suas exigências”.
Então o rei da Assíria deu esta ordem: “Façam um dos sacerdotes de Samaria que vocês levaram prisioneiro retornar e viver ali para ensinar as exigências do Deus da terra”.
Então um dos sacerdotes exilados de Samaria veio morar em Betel e lhes ensinou a adorar o Senhor.
No entanto, cada grupo fez seus próprios deuses nas diversas cidades em que moravam e os puseram nos altares idólatras que o povo de Samaria havia feito.
Os de Babilônia fizeram Sucote-Benote, os de Cuta fizeram Nergal e os de Hamate fizeram Asima;
os aveus fizeram Nibaz e Tartaque; os sefarvitas queimavam seus filhos em sacrifício a Adrameleque e Anameleque, deuses de Sefarvaim.
Eles adoravam o Senhor, mas também nomeavam qualquer pessoa para lhes servir como sacerdote nos altares idólatras.
Adoravam o Senhor, mas também prestavam culto aos seus próprios deuses, conforme os costumes das nações de onde haviam sido trazidos.
Até hoje eles continuam em suas antigas práticas. Não adoram o Senhor nem se comprometem com os decretos, com as ordenanças, com as leis e com os mandamentos que o Senhor deu aos descendentes de Jacó, a quem deu o nome de Israel. (2 Reis 17:24-34)

Os judeus não consideravam os samaritanos como legítimos, pois diziam que eles eram impuros.
Os samaritanos adoravam no monte Gerizim, o monte citado pela mulher samaritana.

Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”. (João 4:20)

________________________________________
O Período Interbíblico teve suas obscuridades e lições.

O estudo a respeito deste período é de suma importância para uma melhor compreensão dos escritos do NT, em especial os evangelhos, mas sem subestimar os outros escritos neotestamentários.

  • O ADVENTO DE CRISTO

Neste período de silêncio, o mundo foi preparado para a vinda de Cristo através de vários povos. O apóstolo Paulo escreveu:

Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei (Gálatas 4:4 NVI)

Marcos escreveu o mesmo:

E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho. (Marcos 1:15 ACF)

É interessante notar a preparação do mundo para a primeira vinda de Cristo e as contribuições dos três grande povos daquela época.
Verdadeiramente, Cristo veio na plenitude dos tempos.

  •  Elementos na preparação para a vinda de Cristo:

Elementos Judaicos:
a– Um povo divinamente preparado
b– Um povo escolhido para ser testemunha entre as nações
c– Escrituras proféticas predizendo a vinda do Messias
d– A dispersão dos judeus em todo o mundo conhecido
e– Sinagoga onde se estudava as Escrituras que forneceriam local para a pregação do evangelho
f– Proselitismo que trouxe muitos gentios para o judaísmo
g– Era o povo do Livro, Interessado na prática da religião e na busca da salvação
h– Uma esperança da vinda do Messias foi oferecida pelos judeus a um mundo de religiões pagãs. Também o judaísmo ofereceu, pela parte moral da Lei Judaica, o sistema de ética mais puro do mundo. Mas o mais importante é que os judeus prepararam o caminho para a vinda de Cristo pelo fornecimento de um Livro Sagrado, o Velho Testamento.

Elementos Gregos:
a– A filosofia grega que se aproximava do monoteísmo, tendência para a imortalidade, ênfase sobre a consciência e dignidade humana e liberalismo de pensamento.
b– A língua grega, tradução do A.T., para a pregação do evangelho e a escrita do N.T. junto com os termos adotados por Paulo e outro pregadores do Novo Testamento para explicar o evangelho. No primeiro século os romanos cultos conheciam grego e também latim. O dialeto grego usado no quinto século a. C., na época da glória de Atenas, tornou-se o dialeto “Koiné” (comum) do primeiro século. O dialeto da literatura clássica de Atenas foi modificado e enriquecido pelas mudanças que sofreu nas conquistas de Alexandre Magno no período entre 338 e 146 a .C. . O N.T. foi escrito nesse dialeto vulgar (comum).
c– A cultura helenística em geral com seu espírito cosmopolita, transcendendo as barreiras, o judeu helenizado que serviria como ponte entre o judeu e gentio e a busca da salvação do mundo romano.
d– Por um lado a filosofia grega deu uma contribuição positiva, mostrando o melhor que o homem pode fazer na busca de Deus pelo intelecto, por outro contribuiu negativamente, pois, nunca deu uma satisfação aos corações e nunca conduziu o homem a um Deus pessoal.

Elementos Romanos:
a– Cristo veio ao mundo na época do Império Romano. Todo o mundo ficou sob um governo único, uma lei universal, era possível obter cidadania romana, ainda que a pessoa não fosse romana. O império Romano mostrou a tendência de unificar os povos de raças diferentes numa organização política.
b– Havia paz na terra quando Cristo nasceu. Os soldados romanos asseguravam a paz nas estradas da Ásia, África e Europa.
c– Construíram excelentes estradas ligando Roma a todas as partes do Império. As estradas principais foram construídas de concreto. As estradas romanas e as cidades estratégicas localizadas nos caminhos eram indispensáveis a evangelização do mundo no primeiro século.

  •  Resumo dos elementos:

Na plenitude dos tempos, quando a maior parte do mundo ficou sob uma lei e um governo, e todo o mundo falou a mesma língua diariamente, Cristo veio, cumprindo as profecias e especialmente Jerusalém, localizava-se onde as estradas atravessavam ligando os continentes da Ásia e África com a Europa.
Se lembrarmos de Jesus curando aquele paralítico de Betesda, o vemos obedecendo a ordem de Cristo, levantando-se, tomando o seu leito e indo embora. Os judeus que o viram curado naquele dia sétimo o advertiram dizendo que no sábado era ilícito carregar um leito.

Então Jesus lhe disse: “Levante-se! Pegue a sua maca e ande”.
Imediatamente o homem ficou curado, pegou a maca e começou a andar. Isso aconteceu num sábado, e, por essa razão, os judeus disseram ao homem que havia sido curado: “Hoje é sábado, não lhe é permitido carregar a maca”. (João 5:8-10 NVI)

Ora, em nenhum lugar a Lei afirma tal coisa. Isto se formou como costumes e tradições herdadas do Período Interbíblico.
Esta foi uma das causas do embate entre o discurso de Jesus e a religiosidade extrema dos judeus em todo o seu ministério.
Sabendo disso, tenhamos nós o maior cuidado possível ao interpretarmos certas passagens do NT, para não criarmos doutrinas erradas ou mensagens heréticas, por isso a insistência: cabe ao estudioso bíblico buscar fontes históricas fiéis acerca do assunto para o melhor entendimento do mesmo e dos resultados de sua influência.

Se o sábio der ouvidos, aumentará seu conhecimento, e quem tem discernimento obterá orientação (Provérbios 1:5 NVI)

  • Fontes:

Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, R. N. Champlin, Ph.D., Volume 5, Hagnos, 11ª edição, 2013, p. 226; Volumes 1 e 2 pp. 316 e 351 – vol 1 – e pp. 14 e 15 – vol 2; Volume 6 pp. 142 e 143

Dicionário Bíblico Wycliffe, Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos e John Rea, CPAD, 12ª reimpressão, 2012, pp. 1349 e 1350, p. 1191

Comentário Bíblico Moody, Volume 1, AT, Charles F. Pfeiffer, 1ª impressão, 2010, editora Batista Regular, p. 1084

Traduções e adaptações de: Between The Testaments, Charles F. Pfeiffer, Guardian of Truth Foundation, 1959.

Aprendendo a manejar a Palavra de Deus, Módulo 1, apostila do aluno, AGRADE, Missionário R. R. Soares, 3ª edição revisada, 2015.

  • Sites acessados em 23/03/2017:

http://www.monergismo.com/textos/bibliologia/apocrifos_analisando_geisler.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_ptolemaica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Macabeus
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antípatro_(pai_de_Herodes)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_cliente#P.C3.A9rsia.2C_Gr.C3.A9cia_e_Roma

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